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Rezar com Santo António
2024, Ano da Oração
13 de junho é o dia da festa de Santo António de Pádua. Desde 2017, este é o dia escolhido pelo Papa Francisco para publicar a sua mensagem por ocasião do Dia Mundial dos Pobres (marcado para o 33º Domingo do Tempo Comum). Isto dá aos fiéis tempo para meditar sobre o texto e até para realizar uma ou outra das ações concretas nele inspiradas. Encontrará o texto no fundo da página. Porque é que o papa divulga esta mensagem na festa de Santo António? Porque ele é o santo padroeiro dos pobres. Vejamos a vida deste franciscano e a história da sua devoção no Luxemburgo.
Nascido em Lisboa em 1195, filho de um cavaleiro ao serviço do rei, foi batizado Fernando. Aos quinze anos, escolheu a vida religiosa e entrou para os Cónegos de Santo Agostinho. Aos vinte e cinco anos, foi ordenado sacerdote. Em 1220, conheceu os Irmãos de São Francisco. A história de cinco irmãos martirizados em Marrocos impressionou-o profundamente e decidiu juntar-se aos franciscanos. Obteve rapidamente autorização para deixar a ordem dos Cónegos Regulares e vestiu o hábito de São Francisco na primavera de 1220, mudando o seu nome para António, em memória de António, eremita e pai do deserto. Algumas semanas mais tarde, parte para Marraquexe. Mas a sua estadia foi de curta duração, pois adoeceu e teve de regressar à Europa.
Canonizado onze meses depois da sua morte
Na primavera de 1221, António participou na reunião do grande Capítulo de Pentecostes, que reuniu quase cinco mil frades em torno de Francisco de Assis. A partir de setembro de 1222, foi encarregado de pregar em Rimini e em toda a região onde grassava a heresia cátara. Viajou depois para o norte de Itália e para o sul de França, até Limoges. Em 1223, Francisco de Assis confiou-lhe a tarefa de ensinar teologia aos frades, criando assim, primeiro em Bolonha, depois em Montpellier, Toulouse e, mais tarde, em Pádua, as primeiras escolas franciscanas de teologia. Após a morte de Francisco, foi Ministro provincial (ou seja, responsável por todas as fraternidades franciscanas) de 1227 a 1230.
Morreu a 13 de junho de 1231, com 36 anos, murmurando "vejo o meu Senhor". António foi canonizado em tempo recorde, onze meses após a sua morte, pelo Papa Gregório IX, devido à multiplicação de milagres que ocorreram por sua intercessão.
A oração: uma relação de amor
Santo António deixou-nos dois ciclos de "sermões" tão ricos em ensinamentos que, em 1946, o Papa Pio XII o proclamou Doutor da Igreja Universal com o título de "Doutor Evangélico", porque destes escritos emana a frescura e a beleza do Evangelho. Nos seus sermões, Santo António falava da oração como uma relação de amor que leva o homem a um diálogo afetuoso com o Senhor, criando uma alegria inefável que envolve suavemente a alma em oração. Para ele, a oração baseia-se em quatro atitudes essenciais: abrir com confiança o meu coração à presença de Deus; conversar amorosamente com Ele, vendo-O presente em mim; apresentar-Lhe as minhas necessidades; louvá-Lo e agradecer-Lhe. António escreveu: "A caridade é a alma da fé, torna-a viva; sem amor, a fé morre" (1). O santo insiste no facto de que só uma alma que reza pode progredir na vida espiritual.
O culto de Santo António no Luxemburgo
No nosso país, a igreja dos Capuchinhos, hoje teatro dos Capuchinhos, foi outrora um centro importante do culto de Santo António de Pádua, como recorda o padre capuchinho Hildebrand (2). Os Capuchinhos, que constituem um dos três ramos masculinos da família franciscana, juntamente com os Frades Menores e os Frades Menores Conventuais, estabeleceram-se na cidade do Luxemburgo em 1621. O culto de Santo António desenvolveu-se aí e vários acontecimentos são relatados nos arquivos do antigo convento do Luxemburgo (3). O Padre Hildebrand regista um deles, que apoia a reputação de Santo António de ajudar a encontrar objectos perdidos. Em 1679, a casa do Presidente do Conselho do Luxemburgo tinha sido assaltada: algumas das pratas e jóias tinham desaparecido. A dona da casa pediu imediatamente aos Capuchinhos as suas orações, em particular a Santo António de Pádua, para que a ajudasse a recuperar os objetos roubados. Alguns dias mais tarde, ao fim da tarde, o porteiro foi dar a volta ao mosteiro e encontrou na sala de visitas um saco, coberto de lama, com os objetos roubados.
Neste Ano de Oração, é bom redescobrir os ensinamentos do santo padroeiro dos pobres.
(1) Sermones, Dominicales et Festivi, II, Messaggero, Padoue 1979, p. 37.
(2) Le culte de Saint Antoine de Padoue chez les anciens Capucins de Luxembourg, in Étendard Franciscain 33 (1931-32), pp. 284-287.
(3) Registre de l’Archive du Couvent de Luxembourg, p. 27. (Bibliothèque de la Section Historique de l’Institut Grand-Ducal de Luxembourg, MS. N°40)
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Prière à saint Antoine
Ô Saint Antoine,
toi que l’on n’invoque jamais en vain,
une fois encore je me tourne vers toi,
pour que tu m’obtiennes du Seigneur Dieu les grâces dont j’ai grand besoin,
et particulièrement ce qui me tient tant à cœur
(précisez votre intention personnelle)
Tu as toujours été mon bon et fidèle protecteur.
Accueille, s’il te plaît, ma demande,
pour que grâce à ton intercession,
Dieu veuille bien m’exaucer,
si elle est sa Volonté.
Que le Seigneur augmente ma foi
et me garde le cœur ouvert et miséricordieux !
Par Jésus, le Christ, notre Seigneur.
Amen.



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